Depois de atuar em mais de 45 projetos de turismo responsável em 16 estados brasileiros, Marianne Costa, fundadora do Instituto Vivejar identificou um padrão recorrente: a maior parte das iniciativas não falha por falta de potencial turístico, mas por problemas estruturais que impedem sua continuidade e sustentabilidade no longo prazo.

Ao longo de quase duas décadas de atuação, foram:

  • mais de 45 projetos realizados;
  • mais de 75 comunidades atendidas;
  • atuação em 16 estados brasileiros;
  • quase 1.500 profissionais qualificados diretamente.

Essa trajetória permitiu observar, em diferentes contextos territoriais, os desafios que mais travam projetos de turismo de base comunitária, desenvolvimento turístico e gestão de destinos no Brasil.

Entre os principais gargalos estão:

  • ausência de governança clara;
  • baixa continuidade após editais e consultorias;
  • dificuldade de acesso ao mercado;
  • fragilidade na estruturação de produtos turísticos;
  • baixa circulação de renda no território.

Este artigo reúne os principais aprendizados acumulados pelo Instituto Vivejar em projetos realizados com comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, caiçaras e populações rurais, além de apresentar os caminhos metodológicos que têm contribuído para o desenvolvimento de iniciativas mais sustentáveis.

Quais são os principais desafios do turismo responsável no Brasil?

Por que um País que possui enorme diversidade territorial, cultural e ambiental enfrenta tantos obstáculos no turismo? O desafio está na capacidade de transformar esse potencial em processos sustentáveis de desenvolvimento.

Em dezenas de projetos acompanhados pelo Instituto Vivejar, alguns gargalos estruturais aparecem de forma recorrente, independentemente da região do país.

 

Projetos que nunca passam da fase piloto

Problema recorrente

Um padrão frequente em projetos de desenvolvimento turístico é a interrupção das iniciativas logo após o encerramento de editais, consultorias ou ciclos de financiamento.

O território recebe oficinas, diagnósticos, planejamento e mobilização inicial, mas não consegue manter o processo funcionando de maneira autônoma após a saída da equipe externa, pois não teve tempo de maturação

Consequência

Sem continuidade operacional e fortalecimento da autonomia local, muitas iniciativas retornam ao estágio inicial, acumulando frustração comunitária e baixa confiança em novos projetos.

Esse cenário é especialmente comum em territórios onde o turismo é introduzido sem estratégias consistentes de mobilização comunitária e fortalecimento da gestão local.

Por que muitos editais ou projetos não geram continuidade?

Em muitos casos, os projetos são estruturados com foco prioritário em entregas de curto prazo, sem consolidar mecanismos locais de governança, operação e sustentabilidade econômica.

Também é comum que consultorias atuem de forma excessivamente técnica, sem transferência real de protagonismo para o território e principalmente, sem conexão real com o mercado

Como consequência, comunidades permanecem dependentes de agentes externos para manter articulações, decisões e organização coletiva.

Como o Instituto Vivejar atua

Foi justamente para enfrentar esse desafio que os projetos do Instituto Vivejar passaram a incorporar a etapa de Animação Local, um dos pilares do Método Marianne Costa.

Nessa estratégia, membros da própria comunidade assumem o papel de “Animadores”, responsáveis por fortalecer o engajamento coletivo, mobilizar moradores e manter a articulação territorial ativa entre as etapas presenciais da consultoria.

Ao transferir capacidade de mobilização e protagonismo para lideranças locais, o processo fortalece a continuidade das ações e amplia as possibilidades de sustentabilidade do projeto no longo prazo.

Falta de governança clara

Problema recorrente

Outro gargalo estrutural observado em diferentes territórios é a ausência de acordos coletivos claros sobre funcionamento, responsabilidades e tomada de decisão.

Muitas iniciativas começam com forte mobilização comunitária, mas enfrentam dificuldades quando surgem questões relacionadas à operação turística, distribuição de renda, participação nas atividades e relacionamento com parceiros externos durante o acesso ao mercado.

Consequência

Sem estruturas mínimas de governança territorial, os projetos passam a depender de improviso, gerando desgaste interno, conflitos e fragilidade organizacional.

Em muitos casos, isso compromete não apenas a sustentabilidade econômica da iniciativa, mas também a confiança coletiva necessária para manter o turismo funcionando como estratégia de desenvolvimento territorial.

Como o Instituto Vivejar atua

Dentro do Método Marianne Costa, a governança é tratada como uma dimensão central do desenvolvimento turístico responsável.

O trabalho envolve a construção coletiva de acordos, responsabilidades, formas de gestão e mecanismos de participação, buscando fortalecer relações internas e criar maior equilíbrio na circulação dos benefícios econômicos gerados pelo turismo.

Mais do que organizar operações turísticas, a governança territorial contribui para consolidar a autonomia local e reduzir dependências externas.

O erro de tratar turismo apenas como promoção

Um dos equívocos mais recorrentes no desenvolvimento de destinos turísticos é investir em divulgação antes da estruturação efetiva da experiência turística.

Em muitos territórios, recursos são direcionados prioritariamente para branding, campanhas promocionais e comunicação institucional, enquanto aspectos fundamentais da experiência permanecem frágeis.

Sem organização da cadeia turística, definição clara de produtos, alinhamento comunitário e preparação operacional, a promoção tende a gerar expectativas que o território ainda não consegue sustentar.

O desenvolvimento turístico não se resume à atração de visitantes. Ele depende da capacidade de estruturar experiências consistentes, sustentáveis e alinhadas aos limites sociais, culturais e ambientais do território.

Produtos turísticos que nunca chegam ao mercado

Problema recorrente

O Brasil possui enorme riqueza de experiências culturais, ambientais e comunitárias. No entanto, muitos territórios enfrentam dificuldades para transformar esse potencial em produtos turísticos viáveis.

Faltam:

  • desenho de experiência;
  • definição de público;
  • organização de roteiros;
  • precificação;
  • logística;
  • estratégias de comercialização;
  • posicionamento de mercado.

Consequência

Mesmo quando existe grande potência territorial, muitos projetos permanecem invisíveis para operadores, viajantes diretos e parceiros estratégicos.

Sem conexão prática com o mercado, o turismo não consegue gerar fluxo econômico suficiente para sustentar iniciativas locais e seguir estimulando as comunidades.

Como o Instituto Vivejar atua

A partir da recorrência desse desafio, Marianne Costa estruturou dentro de sua metodologia a etapa chamada Acesso ao Mercado.

O objetivo é apoiar territórios na transformação de experiências locais em produtos turísticos capazes de dialogar com o mercado sem descaracterizar identidades culturais nem comprometer os limites territoriais.

Outro diferencial importante do Instituto Vivejar é que sua atuação não parte apenas da consultoria teórica, mas também da experiência concreta na operação turística por meio do Vivejar Experiências.

Essa vivência prática permite compreender desafios reais relacionados à comercialização, relacionamento com viajantes, construção de produtos turísticos, posicionamento e operação, algo ainda pouco comum em grande parte das consultorias do setor, principalmente por falta do conhecimento e experiência de mercado dos profissionais.

Projetos que geram pouco retorno para o território

Problema recorrente

Outro padrão identificado em diferentes regiões do Brasil são iniciativas que conseguem atrair visitantes, mas geram baixa circulação de renda dentro do próprio território.

Em muitos casos, os benefícios econômicos permanecem concentrados em poucos atores ou escapam da cadeia local.

Consequência

Quando o turismo não fortalece o coletivo, surgem conflitos internos, sensação de exclusão e perda de engajamento comunitário.

Nesse cenário, o turismo deixa de funcionar como ferramenta de desenvolvimento territorial e passa a reproduzir desigualdades já existentes.

Indicadores reais de sustentabilidade turística

Sustentabilidade turística não pode ser medida apenas pelo número de visitantes ou pela visibilidade de um destino.

Projetos verdadeiramente sustentáveis também precisam considerar:

  • circulação de renda local;
  • fortalecimento da governança;
  • autonomia territorial;
  • valorização cultural;
  • permanência de jovens no território;
  • fortalecimento da cadeia produtiva local;
  • capacidade de gestão comunitária.

Como o Instituto Vivejar atua

A metodologia desenvolvida pelo Instituto Vivejar busca estruturar o turismo como ferramenta de fortalecimento territorial, ampliando a participação local na cadeia econômica e fortalecendo processos coletivos de decisão.

O objetivo não é apenas aumentar o fluxo turístico, mas consolidar modelos capazes de gerar impacto econômico, cultural e social de forma equilibrada.

Da experiência prática à construção de metodologia

Foi observando a repetição desses padrões em diferentes regiões do Brasil que Marianne Costa estruturou uma metodologia própria voltada ao turismo responsável, turismo de base comunitária e desenvolvimento territorial.

Mais do que uma sequência técnica de consultorias, o Método Marianne Costa foi desenvolvido a partir da prática em campo, considerando desafios reais enfrentados por:

  • comunidades;
  • gestores públicos;
  • organizações de fomento;
  • empreendedores locais;
  • redes territoriais;
  • destinos turísticos.

Em diferentes territórios atendidos pelo Instituto Vivejar, iniciativas inicialmente focadas apenas em promoção turística passaram a apresentar resultados mais consistentes após a estruturação de governança local, fortalecimento comunitário e organização estratégica do acesso ao mercado.

O foco da metodologia está na construção de processos sustentáveis capazes de fortalecer:

  • autonomia local;
  • organização coletiva;
  • estruturação de produtos turísticos;
  • acesso ao mercado;
  • continuidade das ações;
  • sustentabilidade econômica.

 

As 7 etapas do Método Marianne Costa

1. Análise Situacional

Diagnóstico aprofundado do território, leitura das dinâmicas locais, identificação de potencialidades, desafios, conflitos e oportunidades.

2. Formações Complementares

Capacitações adaptadas às necessidades específicas de cada território, fortalecendo competências técnicas, operacionais e estratégicas.

3. Animação Local

Estratégia de mobilização comunitária que fortalece o protagonismo territorial por meio de lideranças locais responsáveis pela articulação contínua do processo.

4. Intercâmbio de Experiências

Trocas entre territórios e iniciativas para estimular aprendizado prático, fortalecimento de redes e ampliação de repertório.

5. Governança

Construção coletiva de acordos, responsabilidades, formas de gestão e distribuição de benefícios.

6. Acesso ao Mercado

Estruturação prática de estratégias de posicionamento, comercialização e conexão sustentável entre experiências locais e mercado turístico.

7. Planejamento Participativo

Desenvolvimento conjunto de prioridades, metas e estratégias territoriais de longo prazo.

Mais do que projetos isolados

Um dos maiores desafios do turismo responsável no Brasil é que muitos aprendizados permanecem fragmentados entre comunidades, consultorias, organizações sociais, gestores públicos e iniciativas privadas.

Raramente essas experiências se transformam em leitura sistêmica capaz de orientar políticas públicas, estratégias territoriais e modelos consistentes de desenvolvimento turístico.

É nesse espaço que o Instituto Vivejar atua atualmente.

Mais do que executar projetos específicos, o trabalho envolve transformar experiência acumulada em:

  • metodologia replicável;
  • consultoria especializada;
  • formação avançada;
  • inteligência territorial;
  • estratégias sustentáveis de desenvolvimento turístico.

A partir dessa trajetória, o Instituto passou a estruturar um ecossistema capaz de conectar:

  • território;
  • governança;
  • experiência turística;
  • mercado;
  • sustentabilidade econômica;
  • fortalecimento comunitário.

 

O futuro do turismo responsável no Brasil

O turismo responsável que o Brasil precisa construir não depende de soluções genéricas nem de ações isoladas.

O setor exige:

  • continuidade;
  • governança territorial;
  • inteligência de mercado;
  • formação qualificada;
  • desenvolvimento de produtos turísticos;
  • sustentabilidade econômica;
  • capacidade de adaptação às realidades locais.

Ao mesmo tempo, novas tendências vêm transformando o setor turístico global:

  • aumento da demanda por experiências autênticas;
  • crescimento do turismo regenerativo;
  • fortalecimento de métricas ESG;
  • valorização de impacto territorial;
  • busca por experiências culturais mais conectadas ao território.

Nesse contexto, destinos e organizações precisarão cada vez mais estruturar modelos capazes de equilibrar desenvolvimento econômico, fortalecimento comunitário e sustentabilidade territorial.

Depois de mais de 45 projetos realizados, uma conclusão parece clara: os principais gargalos do setor já são conhecidos.

O grande desafio agora é construir modelos capazes de evitar que eles continuem se repetindo.

É exatamente nisso que o Instituto Vivejar tem concentrado sua atuação.

Sobre o Instituto Vivejar

O Instituto Vivejar é referência nacional em turismo responsável e turismo de base comunitária no Brasil.

Com atuação em 16 estados brasileiros, mais de 45 projetos realizados e dezenas de comunidades atendidas, o Instituto desenvolve:

  • consultorias para destinos turísticos;
  • fortalecimento de governança territorial;
  • planejamento participativo;
  • estruturação de produtos turísticos;
  • formação de gestores e lideranças;
  • estratégias de acesso ao mercado;
  • metodologias voltadas ao desenvolvimento territorial sustentável.

Estruturando projetos turísticos mais sustentáveis

Se sua instituição, organização ou território busca desenvolver projetos turísticos mais sustentáveis, estruturados e alinhados às realidades locais, converse com a equipe do Instituto Vivejar.

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